VIDAS

HERMINDA PEREIRA LIMA, GERENTE EXECUTIVA DA SANTA CLAUS AUDIOVISUAIS, CONTA-NOS COMO FOI A MUDANÇA COM A FAMÍLIA PARA PORTUGAL, HÁ 24 ANOS.

 Herminda Pereira Lima, gerente executiva da Santa Claus Audiovisuais, conta-nos como foi a mudança com a família para Portugal, há 24 anos.

VIDAS

08/05/2018 4
"As pessoas eram muito fechadas e agora são mais abertas e alegres. É uma diferença muito positiva."

Mais uma vez buscamos experiências para relatar aqui no espaço “Vidas”, para que nossos leitores conheçam a realidade de brasileiros que chegaram há mais de duas décadas e nos contem como veem Portugal de hoje.

Foi uma surpresa agradável conhecer um pouco da trajetória da nossa entrevistada, Herminda Pereira, que com seu carisma nos permitiu essa conversa, em Cascais, onde mantém o renomado Estúdio Santa Claus, pioneiro em locuções, dublagens e legendagens.

A vinda de Herminda a Portugal, em 1994, tinha data de partida após quatro meses, quando seu marido na época, foi contratado para implantar o Controle de Qualidade da SIC. O que era para ser apenas um Job, se tornou em muito mais. Acabaram por ficar e abriram uma produtora que foi responsável por sucessos na época como "Muita Lôco", "Big Show Sic", "Super Buérére" e "Roda dos Milhões". A partir daí o apego a nova pátria e abertura do Santa Claus, que completou 20 anos, permitem a Herminda a convicção do acerto da mudança.

 JVLF: O que motivou a mudança para Portugal?

Meu marido trabalhou na Rede Globo por quase trinta anos e após uma negociação entre este canal e a SIC (Sociedade Independente de Comunicação), na qual a Rede Globo é sócia, meu marido foi convidado a fazer o Controle de Qualidade da Sic, na fase de implementação e arranque do Canal. Era para ficarmos somente quatro meses, mas ele acabou abrindo uma produtora e produzimos vários programas de sucesso, como "Muita Lôco", "Big Show Sic", "Super Buérére", "Roda dos Milhões", etc. que ficaram no ar por muitos anos. Eu fazia a produção musical dos programas.

JVLF: Como foi a adaptação com a cultura?

Foi muito tranquila, costumávamos vir de férias a Portugal e já estava bem integrada com a cultura e gastronomia. Aliás, adoro a gastronomia portuguesa. Minhas filhas também não tiveram nenhum problema de adaptação.

JVLF: O que mais sentiu falta depois de algum tempo vivendo em Portugal?

No primeiro ano, o que mais senti foi muitas saudades da família e dos amigos que deixamos no Brasil. Posso dizer que a saudade doeu demais.

JVLF: Fale-nos sobre sua família.

Tenho três filhas nascidas no Brasil. A Fabiana, que também trabalha com produção e mora atualmente no Brasil com meu neto. Em Portugal, tenho a Simone e a Paula e mais dois netos que gostam muito de viver aqui. Minhas filhas e meus netos são a minha vida.

JVLF: Já trabalhava como produtora no Brasil?

No Brasil eu era funcionária pública, trabalhava na Secretaria da Saúde.

JVLF: Como encarou toda essa mudança, desde o país até a profissão?

Na época, eu estava casada e acompanhei o meu marido, e aprendi novas funções como produtora. Eu pesquisava quem eram os cantores mais conhecidos em Portugal e os convidava para participarem dos Programas que produzíamos. Posso dizer que foi muito satisfatória e gratificante toda essa mudança.

JVLF: Sente muita diferença do país daquela época em relação ao Portugal de hoje?

Sinto sim, as pessoas eram muito fechadas e agora são mais abertas e alegres. É uma diferença muito positiva.

JVLF: Como foi o início do Estúdio Santa Claus Audiovisuais e como se tornou referência em dublagem, legendagem e locução em Portugal? 

Como na época tínhamos os programas e uma rádio, meu marido resolveu abrir a Santa Claus. Ele sempre diz que é um presente do Pai Natal, assim os artistas poderiam vir gravar em nossos estúdios. Para conhecer o nosso trabalho é só acessar o site: www.santaclausaudiovisual.com

JVLF: Para os brasileiros que estão chegando para viverem em Portugal, o que você aconselha?

Que se preocupem em se legalizar o mais rápido possível. Tentem tirar um visto para não ficarem ilegais. A vida aqui não é fácil e algumas vezes podem ouvir algo do tipo "volte para o seu país". O importante é estar legalizado, exercer seu trabalho da melhor maneira e ser honesto, para mostrar que não se pode generalizar o povo brasileiro por alguns que não nos orgulham.

 

 




SOBRE

Andrea Duarte
Andrea Duarte

Jornalista há 20 anos, no início da carreira foi repórter noticiarista no SBT (Sistema Brasileiro de Televisão), em seguida trabalhou na Assessoria de Imprensa na Assembleia Legislativa do Estado de SP  e na Câmara dos Deputados, em Brasília.
Acumulou funções como editora/apresentadora e correspondente internacional.
Luso-brasileira (paulistana), vive em Lisboa há dez anos. Desenvolve projetos na área de Comunicação, produz reportagens, investe em outros setores, é editora do Jornal Vidas Lá Fora, mantem um público ativo com 14mil seguidores no Instagram @eu_andreaduarte, onde partilha momentos, lugares e os principais acontecimentos luso-brasileiros. Em 2017 fundou a AMEE - Associação das Mulheres Empreendedoras no Exterior com um seleto número de 1500 associadas.


​* Bacharel em Comunicação Social (FIAM), Pós-Graduada em Administração e Marketing pela (FMU) e Mestre em Ciência da Comunicação pela Universidade Lusófona, em Lisboa.


4 COMENTÁRIOS

  • Valéria Montenegro

    09/05/2018

    Mais uma história de vida inspiradora. Parabéns pela persistência e sucesso, Herminda e obrigada a este Jornal por trazer experiências reais a nossa comunidade.

  • Armando Mendes

    09/05/2018

    Lembro-me dos programas que a Herminda produziu, gostava muito do Roda dos Milhões. Bons tempos aqueles. Obrigado pelas boas lembranças que tive com essa entrevista. Um ótimo trabalho, Armando.

  • Marco António

    10/05/2018

    A Herminda é a verdadeira matriarca desta famosa e querida família Lima, grandes produtores na área do audiovisual para os media. Sou vocalista e manager dos LUCKY DUCKIES, uma banda de Vintage Swing e Rock'n'roll. Atualmente pisamos os grandes palcos portugueses e alguns estrangeiros, pois a fama e prestígio subiram paulatinamente. Mas hoje não teríamos provavelmente este sucesso se a nossa querida Herminda não nos tivesse feito alguns convites para entrarmos nas suas produções televisivas na SIC. Ela tinha olho para escolher artistas com potencial de sucesso. Estamos muitos gratos a ela e ao Ediberto Lima. Aliás, muitos artistas famosos no panorama português também deveriam estar, mas infelizmente têm memória curta. Também me lembro das suas filhas, todas tão jovenzinhas e tão bonitas a trabalharem como assistentes de produção, mas já muito competentes. Puxaram aos pais, né! Apesar desta família se ter conseguido manter economicamente estável, foi vítima de "lobbies" invejosos que aprontaram para os tirar da ribalta. Mas os portugueses em geral nunca os esqueceram e já têm saudades da sua dinâmica de trabalho. Que o Santa Claus os coloque novamente na rota das grandes produções televisivas. Um forte abraço de gratidão a estes queridos amigos dos LUCKY DUCKIES.

  • Rosa Maria Marques

    14/05/2018

    Muito boa a entrevista e lembro-me bem dos programas produzidos por essa quipa, bons tempos. Fico muito feliz por saber como a senhora Herminda se manteve firme a frente do Estudio por todos esses anos e ter se adaptado bem a nossa cultura. Um bem-haja!


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